segunda-feira, 12 de julho de 2010

Entretanto


Distraio-me em três faixas de ilusões
Três feixes de luz
Um tão quanto outro
Um tão outro quanto
Quanto tão outro
Que de tão outro
Igual ou quanto
Luz qualquer
Tão qualquer como o Sol
Tão luz quanto outra
Radiante de si mesma
Tanta luz
Tanto quanto a sua falta
Tanta falta
De tudo quanto é coisa
Tanta coisa
De tanto quanto é mundo
Pouco mundo
Mundo só
Não tão tanto quanto outro
Tanto mundo
E tudo igual...

CUBOS E TUDO MAIS


Duas caixas de papel

Cubo, cubos

Fechados

Prisão

Cubo sob cubo

Habitação

Pessoas no cubo

Lar

Pessoa no cubo

Solidão

Pessoas encubadas, quadradas

Repressão

Cubo

Cubo

Cubo

Cubo

Culpo

Os homens...

Por achatarem o mundo

Culpo

O mundo...

Por prender os homens

Culpo

O cubo...

Por que vive em nós

Me culpo...

Por entrar em meu próprio cubo

E encubome de qualquer culpa

Deste vazio cubo no peito do homem.

E as estrelas






Algumas vezes eu olhando para o céu, não via mais que as cores do reflexo do sol. O céu, tão grandioso, vasto, e hoje ao olhá-lo vejo mais que as cores, vejo minha alma que se reflete nesse vazio desconhecido, vejo no seu negro meus medos, e nas estrelas meus sonhos, não maiores que meus medos, mas visíveis aos meus olhos, não imersos no nada, sei que não se perdem nesse mundo tempestuoso. E na manhã, no sol, no cheiro do dia, nas pedras, nas coisas, nos mais novos raios de sol que vejo todos os dias, mas que sempre me são únicos, diz-me para que eu descanse, é a luz que inundou todos os meus medos, não mais pontos brilhantes, são sonhos, são sonhos que os vivo, todos os dias e todas as manhãs, é a vida que é como uma ilusão boa, mas tão real, faz-me rir, faz-me entender que tudo que brilha também deixa sua sombra. Vejo meu coração seguro, pisando firme nas ruelas do mundo, mas é tarde, a noite já vem, e os pesadelos são inevitáveis, os sonhos então...